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Takashi
Hirose
Eu estava entrando no portão de um templo cercado por um belo jardim de verdes folhas primaveris, quando percebi essa inscrição no seu quadro de avisos. Enquanto parei em frente, lembrei-me de um incidente que havia lido no jornal. Uma mãe informada da prisão de um jovem delinqüente que havia assassinado seu filho a sangue frio, disse as seguintes palavras:
Ela defendia a tolerância ao assassino, a quem teria todo o direito de odiar plenamente. Naquele momento, lembrei-me claramente do forte impulso que tive de mostrar a ela minha gratidão após ler aquele artigo. Admirei-a por estar pronta a dizer algo desse tipo, neste mundo onde o ódio gera o ódio, onde as pessoas nunca cessam de ferir as outras, onde mesmo os gestos de amizade trazem uma conotação de malícia. Todavia, eu imaginei que houve para aquela mãe muitas noites de agonia e lágrimas derramadas por detrás daquelas palavras de perdão. Ela deve ter sentido ódio pelo assassino e também ressentimento em relação à família do mesmo. O próprio mundo deve ter escapado às suas amarguras. Entretanto, que palavras calorosas brotaram das suas lágrimas, do seu sofrimento, da sua exaustão! Essas palavras, provavelmente eram inesperadas, mesmo para ela, quando as pronunciou. E ainda, no momento em que as pronunciou, não há dúvidas de que aquela mãe sentiu uma grande paz e libertação. É exatamente por causa disso – que essas palavras são capazes de conter tanto significado para as pessoas onde quer que estejam. Nessas palavras profundas, o “gelo” do sofrimento eterno, causado pelo desejo e pelo ódio, dissolve-se e torna-se a “água” da virtude ilimitada que conforta e refresca o espírito do ser humano. Tal é a luz que emana do mundo da não-dualidade, que transforma o egoísmo intolerante em profunda compaixão. Isto nos traz à mente o seguinte poema do Mestre Shinran:
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