Gyomay Kubose
Budismo Essencial
A Arte de Viver o Dia-a-Dia


31. A Vida é Divertida?

Num dos encontros do Koso Kai, realizados no dia 27 de cada mês, em memória de meu mestre Akegarasu, uma pessoa disse que “a vida é divertida”. Mas a vida, para a maioria das pessoas, não é divertida; é cheia de lutas e sofrimentos. E seguiu-se muita discussão.

Talvez a palavra “divertida” tenha sido equivocada; é possível que “gratificante” ou “enriquecedora” não tivessem criado tanto desacordo. Contudo, não importa qual adjetivo usamos, a verdade dessa afirmação não poderá ser plenamente compreendida a menos que o critério de valores da vida faça, através do despertar religioso, um giro de 180 graus.

Se alcançarmos o despertar religioso, a vida pode ser e será sempre gratificante, apesar de todas as adversidades; e todas as adversidades são boas e naturais. Desse modo, transcendemos nossos problemas em vez de tentar fugir deles. Mais do que transcendê-los, faremos de nossos problemas, sofrimentos e adversidades uma causa para a nossa gratidão. Se alcançarmos o despertar religioso, a vida é vista de modo objetivo e então podemos dizer que ela é “divertida”. Até mesmo a morte pode ser enfrentada com calma, sem medo. Quando a vida é vista de modo filosófico e religioso, não existem arrependimentos, não existem preocupações, não existe medo. No nosso despertar religioso, vemos através dos olhos da sabedoria e então todas as coisas se justificam, tudo corre bem. Percebemos, então, que os nossos sofrimentos são causados pela nossa ignorância.

Permita que eu lhe conte uma história verídica. Havia uma mãe que sofria terrivelmente por ter um filho anormal. Embora fosse uma mulher inteligente e culta, ela estava profundamente perturbada por ter aquele filho. Sua vida era cheia de queixas e de rancores contra si mesma e contra sua família. Às vezes seu rancor a fazia querer matar aquela criança.

Certo dia, um monge zen amigo da família foi visitá-la. As queixa dessa mulher foram maiores do que nunca. Ela teve a audácia de declarar que só seria feliz se aquela criança não existisse. O monge encarou-a e lhe disse com toda severidade:

— Que tipo de demônio é você? Está matando seu filho e ferindo a si mesma e a todos da sua família. Você não sabe que este menino é um Buda e que você é a mãe que trouxe ao mundo este Buda? Seu filho veio ao mundo para lhe ensinar uma vida religiosa, o caminho de Buda. Em vez de se queixar, você deveria ser grata a esta criança e respeitá-la.

A mãe ficou chocada e confusa diante da severa repreensão do monge e ouviu-o em silêncio enquanto ele continuava:

— Uma pessoa como você, que tem tanto egoísmo e arrogância, nunca vai se tornar religiosa nem compreender a vida de humildade, paciência e gratidão. Seu filho está nos ensinando uma vida de apreciação e gratidão. Toda vez que você larga seu filho, dentro do seu carrinho, diante da sua loja, as pessoas que passam vêem este menino e aprendem ou lembram de agradecer por serem normais.

A partir daquele dia, aquela mãe começou a pensar sobre o lado espiritual da vida e encontrou um significado mais profundo na vida e nas coisas. Percebeu, pela primeira vez, que estava vivendo pelas meras aparências externas das coisas e começou a viver uma vida cheia de gratidão e bênçãos.


Templo Budista Apucarana Nambei Honganji
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86802-265 — Apucarana — Paraná
Telefone/Fax:
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Monge Responsável:
Rev. Wagner Bronzeri (Sh. Haku-Shin)
E-mail: honganji@dharmanet.com.br

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