Revª. Leninha Cipriani
Uma Interpretação do Tannishô


Capítulo III


“OS PRÓPRIOS BONS CONSEGUEM IR NASCER NA TERRA PURA, COM MUITO MAIOR RAZÃO POIS OS MAUS O CONSEGUIRÃO. ENTRETANTO, AS PESSOAS COSTUMAM DIZER, QUE SE OS MAUS CONSEGUEM IR NASCER NA TERRA PURA, COM MUITO MAIOR RAZÃO OS BONS O CONSEGUIRÃO. ESTA ÚLTIMA AFIRMATIVA, PARECE À PRIMEIRA VISTA RAZOÁVEL, MAS, ELA VAI CONTRA O VOTO ORIGINAL DE AMIDA. ISSO PORQUE, AQUELES QUE ACREDITAM NA SALVAÇÃO CONSEGUIDA ATRAVÉS DE PRÁTICAS VIRTUOSAS FEITAS COM SEU PRÓPRIO ESFORÇO, NÃO CONFIAM INCONDICIONALMENTE NO OUTRO PODER, E ASSIM, NÃO SE HARMONIZAM COM O VOTO ORIGINAL DE AMIDA. ISSO PORQUE, AQUELES QUE ACREDITAM NA SALVAÇÃO CONSEGUIDA ATRAVÉS DE PRÁTICAS VIRTUOSAS FEITAS COM SEU PRÓPRIO ESFORÇO NÃO CONFIAM INCONDICIONALMENTE NO OUTRO PODER E ASSIM NÃO SE HARMONIZAM COM O VOTO ORIGINAL DE AMIDA. ENTRETANTO, SE ELES ABANDONAREM SUA CONFIANÇA NO ESFORÇO PRÓPRIO PARA CONFIAREM NO OUTRO PODER, CONSEGUIRÃO O IR-NASCER NA TERRA DA RECOMPENSA REAL. A VERDADEIRA INTENÇÃO DE AMIDA AO ENUNCIAR SEU VOTO COMPADECIDO DE NÓS, SERES CARREGADOS DE PAIXÕES MUNDANAS E INCAPAZES DE SE LIBERTAREM DOS NASCIMENTOS E DAS MORTES ATRAVÉS DE QUAISQUER PRÁTICAS, É OFERECER A REALIZAÇÃO BÚDICA AOS MAUS. ASSIM, O MAU QUE CONFIAR NO OUTRO PODER É O LEGÍTIMO MERECEDOR DO IR-NASCER NA TERRA PURA. POR ISSO, O VENERÁVEL MESTRE DISSE: SE OS BONS CONSEGUEM O IR NASCER, COM MUITO MAIOR RAZÃO OS MAUS O CONSEGUIRÃO”.

Este Capítulo, prossegue dentro da Filosofia onde existe uma opção de escolha pelo caminho a ser seguido: O Caminho do Portal Sagrado ou Caminho do Nembutsu. Já percebemos que Shinran escolheu o Caminho do Nembutsu, após tentar atingir a Iluminação pelo Portal Sagrado. E Shinran, ele mesmo considerava-se um Mau, porque ele dizia que: “A pessoa seria aquela que após severa autocrítica, se reconhece incapaz de atingir a Perfeição, a Paz, pelo Auto Esforço, dadas suas limitações. Em outras palavras: o Mau é aquele que reconhece a impossibilidade de atingir o EU REAL, EU ABSOLUTO, A PAZ, a partir de esforços efetuados pelo Ego.”1

Qual seria o pensamento do Mestre Shinran sobre a Salvação Espiritual do Mau?

“OS PRÓPRIOS BONS CONSEGUEM IR NASCER NA TERRA PURA, COM MUITO MAIOR RAZÃO POIS OS MAUS O CONSEGUIRÃO. ENTRETANTO, AS PESSOAS COSTUMAM DIZER, QUE SE OS MAUS CONSEGUEM IR NASCER NA TERRA PURA, COM MUITO MAIOR RAZÃO OS BONS O CONSEGUIRÃO. ESTA ÚLTIMA AFIRMATIVA, PARECE À PRIMEIRA VISTA RAZOÁVEL, MAS, ELA VAI CONTRA O VOTO ORIGINAL DE AMIDA. ISSO PORQUE, AQUELES QUE ACREDITAM NA SALVAÇÃO CONSEGUIDA ATRAVÉS DE PRÁTICAS VIRTUOSAS FEITAS COM SEU PRÓPRIO ESFORÇO, NÃO CONFIAM INCONDICIONALMENTE NO OUTRO PODER, E ASSIM, NÃO SE HARMONIZAM COM O VOTO ORIGINAL DE AMIDA”…

O nosso texto afirma que “os próprios Bons conseguem o Ir Nascer na Terra Pura, com muito maior razão os Maus o conseguirão.”

Quem estuda o Budismo, toma esta afirmativa como uma polêmica, pois pela lógica e pelo sentido literal da palavra Bom, esse, o Bom, teria muito mais razões para alcançar a Salvação.

Por isso, exporemos os Conceitos de Bom e Mau, utilizados pelo Mestre Shinran:

No Sentido Legal, comum, quem realiza bons atos, de acordo com Leis das Constituições, é considerado Bom. Quem age em desacordo com estas Leis, é Mau.

No Sentido Moral, uma pessoa que age de acordo com as normas da Moralidade, é Boa, e a que age em desacordo, é Má.

No Sentido Religioso, aquele que consegue cumprir as práticas virtuosas, transcender o aspecto intelectual, o acúmulo de conhecimentos, e trabalhar uma Fé confiante no Incondicional, no Imensurável, no Ininteligível, entregando-se a este “Outro Poder” este é o Bom. O Mau é aquele que não trabalha esta fé no seu interior.

No Sentido Reflexivo, os Conceitos de Bom e Mau estão relacionados com as Reflexões da pessoa: se ela reflete e assume que não tem feito coisas boas, ela vai sentir-se uma pessoa má. E ao contrário, se ela refletindo, se conscientiza de estar fazendo coisas boas, ela vai sentir-se Boa. Pode acontecer porém, que uma pessoa considerada Má, (porque infringindo um aspecto legal cometeu um crime) considere-se Boa. Por exemplo: um governante em favor do povo faz algo contra a Lei. Ele pode sentir-se injustiçado se for considerado Mau.

Segundo o Mestre Shinran:

O Bom seria aquele que confia no Auto-Esforço (Auto-Poder), isto é, passa fome, sede, privações, se fustiga, se enterra na lama, para alcançar a Salvação.

O Mau, reconhecendo sua incapacidade de praticar o Bem Absoluto, renuncia ao Auto-Esforço (Auto-Poder) entregando-se ao Outro Poder, isto é confiando na execução das Leis Naturais, na sua infalibilidade, entregando-se totalmente ao Voto Original de Amida (integrando-se no contexto do Absoluto diante do qual considera-se impotente.) Vemos portanto, que segundo o Mestre Shinran o Ser Humano para encontrar a Paz, precisa da Reflexão de que é Mau, isto é, precisa renunciar ao Auto-Poder harmonizando-se com o Voto Original de Amida, entendendo que é Mau ao ponto de, mesmo fazendo sacrifícios, não conseguir a Salvação (a Paz). Harmonizando-se com o Voto Original totalmente, então consegue esta Salvação, ou o Ir Nascer na Terra Pura. No Budismo, o Homem é Sofredor, e sabemos que isto é Verdade, porque com o tempo surgem as doenças, a velhice e o organismo com   a   incapacidade determinada por estas condições, morre. E há pessoas que influenciadas pela idéia Indiana de karma (que traz no seu âmago, o conceito de Castigo / Prêmio), acham que fizeram algum Mal, em alguma encarnação anterior, e agora estão pagando com o Sofrimento. Mas, a Velhice é uma estágio natural no processo de vida. E, se surge, por exemplo, um Câncer, algum motivo houve, aqui na sua vida: ou emocional, ou extravagância alimentar, que o determinaram, quando o organismo tornou-se mais debilitado pela Velhice. Não foi nenhum mal cometido em vidas passadas (pecado, no Ocidente) que o determinou. No Budismo não existe Pecado, não condenamos ninguém, e isto, porque é inerente ao homem, a capacidade de realizar qualquer ato dependendo das condições propiciatórias. Devemos ainda, considerar que o homem é incapaz de chegar à Perfeição porque a Imperfeição é inerente ao Ser Humano.

O Buda Amida, compadecido de que, inerentemente, todos nós seres humanos, possuímos o caráter de Imperfeitos, nos favorece com o Voto Original, mostrando que mesmo dentro da nossa imperfeição podemos vislumbrar e desfrutar da Perfeição das Leis, se agirmos em comum acordo com elas.

Vejamos alguns exemplos que mostrarão a Imperfeição Humana :

Suponhamos que dois homens amem uma mulher. Há grandes probabilidade de nascer um rancor entre os dois. Este rancor é inerente à imperfeição latente em cada ser. Nasceu portanto das condições, que propiciaram aos dois, amarem a mesma mulher.

Obter lucros prejudicando outra pessoa. Há pessoas que não se incomodam em levar vantagem prejudicando outras. Se as condições propiciatórias aparecem, a imperfeição latente pode permitir que as mais fortes prejudiquem as mais fracas.

Dentro de uma família pode haver insatisfações e esta condição pode propiciar um caso de alcoolismo, que surge por causa da imperfeição latente em todos os seres.

Como vemos, em todos os casos, a Imperfeição Latente, revela-se determinada pelas Condições propiciatórias. Ela está no âmago de todos os seres humanos, razão pela qual, naqueles que não mergulharem em condições propiciatórias semelhantes às destes exemplos, ela não revelar-se-á. Mas, existe em todos os seres.

Por tudo isso, não podemos julgar, se alguém é Bom ou Mau, somente baseando-se nos fatos. A perspectiva Budista não aceita a afirmativa de que: “Há pessoas que se acham incapazes de cometerem maus atos, consideram-se boas e perfeitas.” O Budismo não aceita isto, por defender tudo que explicamos anteriormente, isto é: que a Natureza do indivíduo está sujeita à Imperfeição, inerente ao ser humano. Mesmo ele considerando-se Perfeito em relação aos outros seres, considerando-se Bom, veremos que de acordo com o Budismo da Terra Pura, a Imperfeição está latente em todos nós e surge dependendo das condições propiciatórias.

Sintetizando:

O BOM considera-se perfeito, certo, considera-se realmente “o bom”. Com isso ele não consegue perceber os desejos das Leis, o Voto Original de Amida.

O MAU reconhece-se imperfeito, sabe que tem de buscar a perfeição, com esta busca ele chegará mais próximo à linguagem das Leis, percebendo o Voto Original de Amida.

Com estes conceitos porém, não estamos discriminando o Bom, pois de repente ele pode perceber o Voto Original de Amida (pode conseguir o Ir Nascer), refletindo, buscando o Conhecimento, e entrando no caminho búdico à partir disto. Mas, este processo é lento, porque o Bom se autoconsidera assim, sendo difícil ele perceber que também é capaz de praticar o Mal (se lhe forem oferecidas condições propiciatórias). Mas, se esta percepção da capacidade de praticar o Mal chegar à consciência, neste momento, esta pessoa que acha-se Boa vai perceber a Imperfeição Latente, e caminhar em direção   ao   Autoconhecimento. Esta pessoa começará então a tomar consciência das nossas origens, e então ela perceberá o Voto Original de Amida.

O que deduzimos de tudo isso ?

Deduzimos que, à medida que vamos nos apegando às perspectivas lógicas da vida, é que vamos nos considerando Bons, porque vamos nos afastando da consciência: de que trazemos conosco a imperfeição, e também das nossas origens. Com a perspectiva lógica, passamos a olhar as pessoas como objetos, esquecendo que todas estas pessoas têm suas origens relacionadas com a Natureza.

Assim sendo, quando (interpretando o nosso texto) o Mestre Shinran afirma que: “OS BONS CONSEGUEM IR NASCER NA TERRA PURA, COM MUITO MAIOR RAZÃO POIS, OS MAUS O CONSEGUIRÃO”... isto significa que: É muito mais fácil uma pessoa que se considera imperfeita, má, lutar e buscar a Perfeição, do que outra que seja convicta de só fazer o certo, o bom (esta pessoa não terá o impulso que a levará ao caminho da Perfeição ou da Realização Búdica.)

Para caminhar em direção à Perfeição ou `Realização Búdica, será preciso abrigar no coração as TRÊS JÓIAS do Budismo:

- O Buda

- O Dharma (Leis e Ensinamentos)

- O Sangha (Comunidade)

Isto é, a pessoa toma consciência de que não é nas perspectivas lógicas que vai encontrar a Perfeição, e ela quer alcançar esta Perfeição. Ela está então, abrindo seu coração à atividade de Amida e vem o impulso de buscar as Leis, o Conhecimento. E quando encontra isto, ela sente a vontade de transmiti-los à Comunidade. Esta é a Postura Budista que leva à Perfeição, à Realização Búdica.

Vemos então que é o Mau ( ou seja aquele que se reconhece Imperfeito) que tem mais chances de conseguir o “Ir Nascer na Terra Pura”. O Bom também tem a chance (todos têm), mas precisa atravessar a fronteira no campo da Consciência e reconhecer-se Imperfeito para, a partir disto buscar a Perfeição. Com esta inversão de valores ele terá o coração desejoso de alcançar a Perfeição.

Portanto: “Se os próprios Bons conseguem o Ir Nascer na Terra Pura, com muito maior Razão pois, os Maus o conseguirão.”

Prossigamos a Interpretação do nosso texto:

“As pessoas costumam dizer que, se os Maus conseguem o Ir Nascer na Terra Pura, com muito maior razão os Bons o conseguirão. Esta última afirmativa parece à primeira vista razoável, mas ela vai contra o Voto Original de Amida”.

Por que ?

Porque as pessoas que afirmam isso, estão com os Conceitos Comuns de bom e mau (e não com o Conceito Segundo o Mestre Shinran). No Conceito comum o mais valorizado é o “Bom”, que evidencia o auto Poder, e por ser o mais valorizado seria ele o mais merecedor da recompensa da Terra Pura. No entanto, como vimos, quem se entrega ao Auto Poder não se entrega ao Amida, não se harmoniza com o Voto Original (porque este Bom considera-se o máximo, não desperta para a Realidade do Ininteligível Outro Poder). Dificilmente este Bom consegue o Ir Nascer na Terra Pura. Portanto, os Ensinamentos Budistas NEGAM a afirmativa das pessoas, quando no texto aparece que “com muito maior razão os Bons conseguirão o Ir Nascer”, porque sendo eles portadores do Auto-Poder, eles não se harmonizam com o Voto Original, não podendo “Ir Nascer na Terra Pura”.                            

Aos “Maus” é concedida maior facilidade desse nascimento, porque eles estando conscientes da nossa Imperfeição, da falta de capacidade para entender aquilo que não pode ser expresso, terão maior garra para buscar a harmonização com as desconhecidas forças que determinam o que não pode ser negado mesmo sendo Ininteligível, ou seja, o Outro Poder, e com isso atingem um bom relacionamento com as Leis, o Autoconhecimento, tendo assim mais chances que os Bons, de Nascerem na Terra Pura, (de alcançarem a Salvação).

E, o nosso texto prossegue, dizendo que:

“Isso porque aqueles que acreditam na Salvação conseguida através de práticas virtuosas feitas com seu próprio esforço, não confiam incondicionalmente no Outro Poder e assim não se harmonizam com o Voto Original de Amida”.

Isto significa que, se a pessoa acredita na Salvação através de si própria, ela não se harmoniza com o Outro Poder e sim com o Auto Poder. E através do Auto Poder já torna-se difícil, conseguir o ir Nascer na Terra Pura, conseguir harmonização com o Voto Original de Amida.

... “ENTRETANTO, SE ELES ABANDONAREM SUA CONFIANÇA NO ESFORÇO PRÓPRIO, PARA CONFIAREM NO OUTRO PODER CONSEGUIRÃO O IR NASCER NA TERRA DA RECOMPENSA REAL ”...

Isto quer dizer que, se o Bom, de repente, abandona sua confiança no Auto Poder, no Esforço próprio, ou seja, harmoniza-se com o Outro Poder, ele consegue o Ir Nascer na Terra da Recompensa Real (Terra Pura) e passa a ser Mau (segundo Shinran). Sabemos que o mestre Shinran tem esta experiência de vida. Após 20 anos de dedicação ao Auto Poder no Monte Hiei, entregue às Práticas do Budismo Monástico, ele continuou a sentir a fustigação das paixões. Compreendeu então que pelo Caminho Mais Fácil, o do Outro Poder, poderia chegar à Paz, proposta pela Terra Pura. Analisando o quadro, vemos que foi um “Bom”, que, de repente abandonou sua confiança no Esforço Próprio para confiar no Outro Poder, passando a ser um “Mau”. E, abraçando as 03 Jóias do Budismo, atingiu a Paz. Começa então a difundir este Budismo do Outro Poder em Kyoto e quando após algum tempo as autoridades governamentais, incomodadas com a liberdade que ele conseguia ensinar ao povo, consideram-no subversivo, resolvem exilá-lo para as regiões áridas do Norte do Japão ( Echigo ), onde ele prossegue tentando difundir   a   Realização   Búdica   na Comunidade local. Este povo, analfabeto na sua maioria, e escravizado pelo jugo governamental, (que através do Budismo Vigente lhes impunha magias e crendices para atá-los pelo medo), entende a mensagem do Mestre Shinran, e passa a confiar nas Leis do Dharma, conseguindo a Libertação.

Vemos então, que eles abandonaram a confiança no Auto Esforço, passaram a confiar no Outro Poder e conseguiram Ir Nascer na Terra da Recompensa.

Finalizando, o texto deste Capítulo afirma:

... “A VERDADEIRA INTENÇÃO DE AMIDA, AO ENUNCIAR SEU VOTO COMPADECIDO DE NÓS, SERES CARREGADOS DE PAIXÕES MUNDANAS E INCAPAZES DE SE LIBERTAREM DOS NASCIMENTOS E MORTES ATRAVÉS DE QUAISQUER PRÁTICAS, É OFERECER A REALIZAÇÃO BÚDICA AOS MAUS. ASSIM, O MAU QUE CONFIA NO OUTRO PODER É O LEGÍTIMO MERECEDOR DO IR NASCER NA TERRA PURA”.

Podemos interpretar este parágrafo, como sendo a nossa tomada de consciência, de que a Verdadeira intenção de Amida é oferecer aos Maus a Realização Búdica. E, o desejo de AMIDA revelado aos Maus, é: que eles encontrarão a Paz, na medida em que confiarem, em que se entregarem, a este AMIDA. Como seria isto? Podemos tomar, por exemplo, a Ecologia: se confiarmos que, não desmatando, teremos sempre Oxigênio, estaremos confiando na Grandiosidade de Amida, (nas forças da Natureza, na lei que através da clorofila e na presença do sol, transforma o CO2 em Oxigênio). Não indo contra esta lei, isto é, não desmatando e com a presença do sol, teremos o Outro Poder agindo continuamente. Eliminamos assim, o Sofrimento da incerteza e alcançamos a Paz. É a Compaixão de AMIDA, oferecendo-nos a Realização Búdica, o Ir Nascer na terra Pura. E Ele oferece-nos esta Compaixão, por saber que somos carregados de paixões mundanas, incapazes de nos libertarmos dos ciclos de nascimentos e mortes (leia-se Nascimentos e Mortes como sendo o limitado, o ilusório), por saber que somos Maus, e estamos confiando no Seu Poder. Os bons, que confiam no Auto-Poder, não se harmonizam com Amida, não recebem a Realização Búdica. Vemos assim que, Ele elege o homem Mau como o legítimo merecedor do ir nascer na Terra Pura, porque, considerando-se impotente, ignorante, diante da Sua Grandiosidade, a Ele se entrega.

... “POR ISSO O VENERÁVEL MESTRE2 DISSE: SE OS BONS CONSEGUEM O IR NASCER, COM MUITO MAIOR RAZÃO OS MAUS O CONSEGUIRÃO.”

Os Maus, estando conscientes da sua incapacidade de atingirem a Perfeição pelo Auto Poder, sabendo que trazem no seu âmago a Imperfeição, entregam-se ao Outro Poder, ampliam suas consciências, integram-se ao Absoluto, ao Real e atingem a Realização Búdica, o Ir Nascer, através do Voto Original de Amida. Recebem a Verdade, vinda da manifestação da Atividade da Fé dentro de si. Esta é a Razão Maior pela qual os Maus conseguem o Ir Nascer: A Consciência da Imperfeição Latente + a Integração ao Absoluto. Os Bons também o conseguirão, porque eles trazem consigo as Potencialidades para o Despertar, e, para se integrar ao Absoluto. A diferença é que: Os Maus já se conscientizaram da Imperfeição Latente e os Bons, ainda não. Por isso, PARA OS MAUS É MAIS FÁCIL O IR NASCER.


1. Nota do Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves no livro “Textos Budistas e Zen Budistas” pág.224.

2. Venerável Mestre: O Mestre Hônen, que é considerado o Mestre de Shinran e também autor da doutrina que enunciamos neste capítulo, isto é, a doutrina que afirma ser mais fácil a Salvação dos “Maus”, ou seja, daqueles que se consideram Maus, e entregam-se ao Outro Poder.


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