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Revª. Leninha Cipriani
O Costume de realizar Ritos Budistas em prol dos antepassados, é no Japão, uma herança do Confucionismo, que a China legou à Sociedade Japonesa, que perdura até hoje como tradição. Diferente do Ocidente, ainda hoje existe na China e no Japão, um respeito muito grande aos pais, às vezes até uma obediência cega que se estende aos pais falecidos. Este comportamento fundamenta-se em dois motivos: Os pais muito se sacrificaram para criar os filhos, passaram por um ou vários dos seis planos de existência, (onde o primeiro plano refere-se aos seres mergulhados em sofrimentos atrozes e, gradativamente o sexto plano refere-se aos seres mergulhados no gozo dos prazeres). E, os filhos querem recompensá-los por isto, com rituais onde são lidos textos Budistas como reconhecimento, como sinal de extremo respeito. Segundo motivo pelo qual são feitos Ritos aos pais falecidos, é uma herança da Índia, do Hinduísmo, que refere-se ao KARMA. Dentro do Conceito Indiano de Karma, após a morte da pessoa, sobrevive uma Personalidade, uma Individualidade, que sofre de acordo com suas ações em vida, a qual deixou de existir com a morte. Os Ritos são então efetuados para aliviar os sofrimentos desta Individualidade que sobrevive à morte. Some-se aqui ainda, o medo que os descendentes familiares têm, de que o morto volte à esfera doméstica sob a forma de Personalidade-Espírito para vingar-se das atitudes dos parentes vivos que o desagradaram em vida. E, os textos Budistas são lidos nestes rituais indianos para acalmar os mortos. Veremos que este conceito de Karma vai relacionar-se profundamente com outros dois: O SISTEMA DE CASTAS E O CONCEITO DE REENCARNAÇÃO. Sabemos que na Índia, uma pessoa é socialmente definida pela Casta na qual nasceu. E, se ela nasceu numa Casta desprivilegiada, deve praticar bons atos (e aqui entra o também originário da Índia Conceito de Reencarnação) para na próxima Encarnação nascer numa Casta melhor. O conceito de Reencarnação afirma que, a Individualidade que sobrevive à morte, reencarna após algum tempo, isto é, nasce outra vez com um novo corpo. E dependendo do que a Individualidade armazena, ela volta melhor ou pior, socialmente. Assim sendo, os Rituais oferecidos aos parentes falecidos, vão minimizar suas culpas, vão ser uma luz para seus espíritos à deriva, beneficiando a Reencarnação. Como o Buda Sakyamuni era Indiano, as Escolas Budistas, incorporaram esta tradição, que sobrevive até hoje com o nome de HÔJI, que para o Budista leigo, continua tendo esse mesmo sentido: de evitar que os mortos atrapalhem suas vidas (caso eles não realizem estes Rituais). Porém, o Mestre Shinran criticou esta postura, negou seus valores. Isto fica bastante claro, quando no nosso texto é dito que:
Isto significa que nós temos que reverenciar TODA a cadeia de Gerações do planeta, sendo desnecessário efetuar rituais aos pais (de sangue) falecidos: primeiro porque o Budismo Amidista prefere estudar o “Aqui e Agora”, prefere resolver os problemas visíveis, buscar as causas e correções dos sofrimentos dentro de nós mesmos, e não nos mortos, que não estamos vendo. Portanto, se alguém acha que um parente morto quer prejudicá-lo, tente primeiro encontrar a causa deste sofrimento dentro de si mesmo; segundo porque consideramos que todos os Pais e Mães que nos antecederam são nossos pais. Portanto, reverenciemos toda a Cadeia de Gerações do Planeta, pois para meus pais nascerem, existiram meus avós, bisavós, trisavôs, etc. Dentro portanto, da Expansão Global que o Budismo prega, de Agregação à Corrente Vital Global, teríamos de agradecer a TODOS os nossos antepassados, e isto já o fazemos quando recitamos o NAMU AMIDA BUTSU. Concluímos assim, a desnecessidade dos Rituais aos Mortos, porque, se não existissem todos eles eu não estaria aqui e agora. São, portanto, milhões de gerações às quais eu teria de oferecer Rituais, e não apenas ao meu pai e minha mãe. Mas não há necessidade deste oferecimento porque ao recitarmos o NAMU AMIDA BUTSU já fazemos esta reverência a todas as gerações. SÃO MILHARES DE GERAÇÕES DAS QUAIS DEPENDEU A MINHA EXISTÊNCIA. E, há algo comum a todas as pessoas que formaram estas gerações, que chama-se VIDA, que agora me foi concedida. O mais importante nesta Cadeia de Vidas, é : BUSCAR A MANEIRA CORRETA DE PASSAR POR ELA. Sendo assim, a tradição dos rituais ainda hoje é mantida apesar de toda esta visão budista, que porém só é acessível a quem se dedica ao estudo do Dharma, porque o japonês (ou descendente) que não o faz, recebe na sua educação, a necessidade de efetuá-los para acalmar os ascendentes falecidos. Então, como esta tradição ainda não foi quebrada, o Monge que efetua o Ritual aproveita a oportunidade para difundir os Ensinamentos (o Dharma). Para entender o nosso Shin Budismo, é preciso que a pessoa se liberte de todo este contexto de obrigações com os mortos, porque entendemos que, a morte apesar de sofrida, (pois vai interromper os apegos das pessoas entre si) ela é algo natural, que obedece as Leis Naturais que são irrevogáveis. E, ao realizar o Rito aos Mortos, o Monge vai tentar difundir os Ensinamentos, o Dharma, mostrando que, se olharmos globalmente para o Universo, veremos que a nossa vida não depende só deste(s) ancestral (is) direto(s) pelo(s) qual(is) está sendo realizado o Rito, depende também de TODOS os ancestrais que viveram milhares de anos atrás de nós, e depende TAMBÉM DE OUTRAS VIDAS, que são os animais irracionais e plantas que vão gerar nossa alimentação, nossa respiração, nosso bem-estar físico e mental. Sem esses, também, não estaríamos vivos. Devemos também agradecer, reverenciar estes seres que nos alimentam, utilizando-os para a nossa sobrevivência, sem desperdiçá-los, com respeito. Tudo isso leva-nos ao CONCEITO DE VIDA UNA, ou seja: A vida de cada um de nós é uma fração desta vida total, desta grande vida. E o argumento do Mestre Shinran é: Minha vida depende de todos os meus ascendentes, não apenas dos meus pais, portanto devo reverenciar todos eles, e também todos os seres vivos (irracionais, vegetais e minerais), pois sem todos eles eu não estaria aqui e agora. O despertar para esta Vida Una nos leva ao Nembutsu. Devo reverenciar a Todos, o que é feito com a recitação do Nembutsu, pois todos têm sua participação na Vida existente no planeta. A atenção individualizada, dirigida apenas aos pais não é TOTAL, (é do auto esforço ). Shinran diz: “Todos os seres viventes são pais e irmãos uns dos outros, na incontável sucessão de gerações e nascimentos”, porque todos participam da Vida Una. Por isso, o Mestre Shinran, nunca, nem uma vez sequer recitou o Nembutsu em memória de seu pai e de sua mãe. E quando no nosso texto lemos, que:
Entendemos que isto não se refere a uma vida pós-morte. Esta próxima existência seria o Renascimento que ocorre dentro de cada um, à partir do momento em que ele se entrega e colabora com o Real, o Global, o Universal, e recita o NAMU AMIDA BUTSU como SÍMBOLO DESTA INTEGRAÇÃO. A partir de agora, temos que entender que: o Processo Natural que chama-se VIDA, está automática e obrigatoriamente associado à MORTE: TUDO QUE NASCE, MORRE. Não podemos separar Vida e Morte, sabendo que, do momento em que a Vida começa a existir até o seu encerramento com a morte, existe o que chamamos de História. E a minha história existe graças aos pontos de apoio, às condições que propiciaram a minha existência (ancestrais, alimentação, ar atmosférico, etc), que permitiram a minha manifestação dentro de Amida, e como parte integrante do mesmo. Devemos ainda lembrar, que TUDO que veio a cada um de nós, hoje, aqui, graças à minha história e graças à história de todos os ancestrais (a História Global): VAI PARA O FUTURO, da mesma maneira que já nos foi legado. Isto é a Vida. Normalmente temos uma visão parcial das coisas, por causa do nosso Ego que tudo individualiza (de acordo em geral com seus próprios interesses). Mas, em verdade somos um Todo. Mesmo o que acontece e achamos que foi por acaso, TEM UMA HISTÓRIA ANTERIOR COM RESPONSABILIDADE IMPLÍCITA. A causa de tudo está DENTRO DE NÓS. Temos responsabilidade na nossa história de vida, enfim: Somos o RESULTADO DAS NOSSAS ATITUDES. Quando compreendemos que estamos ligados a todas as coisas, e a nossa responsabilidade na nossa história de Vida, podemos daí em diante viver mais positivamente, sem nos sentirmos “Vítimas da Vida ou do Destino”. Tudo ocorre ao nosso redor, percebemos a responsabilidade que então é exigida pela nossa participação. E, despertando para esta Relação: Vida/Responsabilidade, vemos que a nossa vida não é particular, nem independente. Sentimos a RESPONSABILIDADE COLETIVA que a Vida exige de todos pela influência que exercemos na vida das pessoas com as quais convivemos. Então do ponto de vista budista, o papel de cada ser é preciosíssimo, “na incontável sucessão de gerações e nascimentos”. São portanto, milhares de gerações que nos antecederam, e esforçaram-se para nos transmitir os melhores conceitos de vida, Vida esta comum a todos os seres e que deve ser vivida o mais corretamente possível, para chegar-se à Paz.
Voltemos ao Conceito de Voto Original que seria a vontade original de Buda Amida, ESTA vontade que se transfere a nós, que nos inunda, devido às condições existentes de encontro com o Dharma, gerando a Aspiração do Ir Nascer na Terra Pura. Por causa desta transferência de Buda Amida para nós, é que surge o Caminho Búdico, contido nos Ensinamentos dos Mestres. Assim sendo, o Mestre Shinran diz, que, quando encontrou o Mestre Hônen, Buda AMIDA estava vindo até ele, através dos Ensinamentos recebidos. Esta atuação de Buda Amida é chamada de Tathagata. E é através deste envolvimento que vamos alcançar o “Ir Nascer”. Se não encontrarmos os Ensinamentos, não surgirá em nós a Vontade de Ir Nascer na Terra Pura. Através dos Ensinamentos é que despertamos para a Verdade. Todos os seres, sem exceção, tem a capacidade potencial de encontrar Tathagata, mas nem todos o encontram. Os que o encontram mergulham na Verdade, na Realidade da Vida. Os que não o encontram ficam com o Ego preso às paixões. O Tathagata é o Outro Poder, que ao envolver-nos nos faz despertar para o Caminho Búdico, para o Ir Nascer na Terra Pura, para o Nembutsu, para a Consciência do nosso papel como uma unidade dentro da “incontável sucessão de gerações e nascimentos”, isto é, dentro da humanidade e mais especificamente da nossa comunidade. Enfim, o Tathagata desperta em nós a Responsabilidade que temos, em relação a tudo que nos cerca. Se o Nembutsu tivesse o seu valor à partir do nosso próprio esforço (do Auto Poder), teríamos a capacidade de transferir méritos ou beneficiar nossos pais falecidos, conforme a maioria das pessoas o desejam. Estas pessoas acham que pela Recitação do Nembutsu, acumulam-se méritos que podem ser transferidos aos pais falecidos. Ressalte-se aqui que, este Conceito de Transferir Méritos ou Beneficiar os falecidos é um Conceito Hinduísta que foi transmitido nas raízes das Doutrinas Orientais. Eles acham que o morto reclama aos seus parentes vivos direitos que teve em vida e até que podem voltar na forma de espírito para perturbar-lhes a vida. Por isso, desejam acirradamente os Ritos Fúnebres, tradição esta que se mantém viva até hoje. No entanto, os Ensinamentos mostram que NADA se transfere pelo nosso desejo, pelo Auto Poder. A ÚNICA transferência de Méritos possível, é a de Buda AMIDA para nós. Portanto, “cumpre abandonar a idéia de Salvação através do esforço próprio”, achando que é possível beneficiar mortos (ou mesmo vivos) através deste poder próprio, porque só através do Outro Poder (do Tathagata ) é que alguém pode alcançar a Salvação, (a Paz), e vivo, porque como já definimos: a Salvação é o Ir Nascer na Terra Pura e isto é possível enquanto estamos vivos. Toda e qualquer tentativa de Salvação pelo Auto Poder, pelo Auto Esforço, É LIMITADA, e portanto, não integra o homem na Realização Total, na Terra Pura. Quando a realização total é alcançada surge a Paz, oriunda da entrega Total ao Absoluto, com a fé, a confiança, de que tudo será executado conforme as Leis deste Absoluto, que são autônomas. Segundo o Mestre Shinran, portanto, devemos abandonar a idéia de alcançar a Paz pelo Auto Esforço, porque este é Limitado. Devemos buscá-la pela Realização nos Conceitos da Terra Pura, pelo Outro Poder.
Sabemos que na sua experiência de Iluminação o Buda Histórico despertou para o Princípio do Equilíbrio Cósmico, das Leis Universais, para o Equilíbrio Ecológico, quando percebeu que o leite que bebia, vinha da vaca que comia o capim, o qual crescia por causa da água, água esta que caia na terra vinda das nuvens, que formavam-se pela evaporação da água disponível na superfície do planeta, etc, etc, etc. Ele percebeu, a Existência de Cadeias e Ciclos Vitais, e com isto, rejeitou a Terra Impura dos apegos, dos egos, dos sofrimentos e abraçou aquilo que entendera, abrindo sua Mente, e Integrando-se ao Grande sistema Absoluto, tendo a certeza, de que, mesmo se alguém não desejasse, a chuva cairia, a grama cresceria, a vida estaria presente, a evaporação das águas para formação das nuvens (que caem nos lugares onde há pouca água) aconteceria, etc. E também entendeu, que teríamos uma Vida Melhor, se houvesse uma Correta Participação de Todos neste Grande Sistema Absoluto (Amida). Ele libertou-se do Ego com esta expansão de Mente. Libertando-se do Pessoal, do Individual, abandonou a idéia de tornar-se melhor (libertar-se das paixões) através de fustigações sacrifícios e sofrimentos, que era o Estilo de Vida (ascética) que estava vivendo com os seus companheiros até então, visando ENTERRAR TUDO QUE, COMO SER HUMANO A NATUREZA LHE IMPUNHA. Ele resgatou a Vida Original, Radiante, Real, Global. Vimos então que ele estava mergulhado no mais atroz dos Sofrimentos Kármicos gerados pela sua fé no Auto Poder. E tudo isto, toda esta conduta de vida Ascética baseada no AUTO PODER era herança, vivência do Hinduísmo. Abrindo desta forma, as portas da sua Mente, ele conseguiu a libertação do Ego, a integração em AMIDA, através do “maravilhoso poder salvador dos Budas ”. Ele encontrou Tathagata, despertou para o Caminha Búdico, e neste percurso ele encontrou a Realização da Terra Pura, despertou para a Verdade, mesmo estando profundamente mergulhado naquele sofrimento que começou quando ele abandonou o seu Palácio. Aqui devemos entender que todos nós, seres viventes, vivemos segundo a Cosmologia Búdica, dentro dos SEIS PLANOS de Existência, classificação esta, herdada do HINDUÍSMO e que nasceu dentro do Conceito de Reencarnação Hinduísta, até hoje vivido na Índia. SEGUNDO TUDO ISTO, O SER HUMANO POSSUI CORPO E ALMA. Após a morte, dependendo COMO foi sua vida, a Alma outra vez recebe um corpo, reencarna (Conceito de Reencarnação) num dos Seis Planos de existência e vive agora beneficiada ou castigada, isto é, a alma ou renasce promovida a um melhor plano, ou castigada, num plano inferior. ESTES SEIS PLANOS (HINDUÍSTAS) DE EXISTÊNCIA SÃO: PLANO INFERNAL: neste, reencarnam seres, que viveriam os piores sofrimentos imagináveis. PLANO DOS FANTASMAS FAMINTOS: aqui reencarnariam os seres portadores de desejos insaciáveis, que qualquer coisa fariam para satisfazer seus desejos. PLANO DOS ANIMAIS: aqui reencarnariam os seres mais ignorantes, nos quais os instintos se sobrepõem a qualquer lógica, a qualquer raciocínio. PLANO DOS TITÃS: aqui se encarnariam os Agressivos. PLANO DOS SERES HUMANOS: aqui estariam encarnados os seres com Ignorância e Discernimento, Prazer e Dor, em idênticas proporções. PLANO DOS SERES CELESTIAIS: aqui se enquadrariam os seres mergulhados no gozo dos prazeres. Como vemos, segundo Este Conceito Hinduísta de Reencarnação, se alguém fizesse coisas ruins na vida anterior, renasceria nos planos inferiores (infernal, fantasmas famintos, animais, etc). PORÉM O BUDISMO SHIN NÃO ACEITA ESTE CONCEITO. Não aceita que alguém que hoje esteja com muitos Sofrimentos deva isso a uma vida anterior, em outro corpo, cheia da impurezas, como afirma a Teoria Hinduísta da Reencarnação. PARA O BUDISMO SHIN TODOS SÃO IGUAIS, COM A MESMA CAPACIDADE PARA ENCONTRAR TATHAGATA (dependendo das condições propiciatórias) E COM O MESMO POTENCIAL PARA VIVIFICAR AS PAIXÕES. E, por haver surgido na Índia (onde a Religião predominante era na época do Sakyamuni, o Hinduísmo), o Budismo herdou estes Seis Planos de Existência, atribuindo-lhes porém “roupagens” diferentes, isto é, SEM APLICÁ-LOS À VIDA PÓS-MORTE visto que vivemos o “aqui e o agora. “O Budismo aplica estes SEIS PLANOS DE EXISTÊNCIA NESTE NOSSO MUNDO, À NOSSA VIDA ATUAL. E são eles: (Budistas) PLANO INFERNAL: é o estado mental das pessoas mergulhadas em muitos Sofrimentos. Poderíamos enquadrar aqui os condenados ao campo de concentração, que vivem num inferno mental sem esperança de retorno à vida normal que levavam anteriormente. PLANO DOS FANTASMAS FAMINTOS: é o estado mental das pessoas que possuem desejos insaciáveis. Tem uma fome insaciável de executar sua vontade. Enquadramos aqui, aquela pessoa que, por mais que tenha dinheiro é insaciável para adquirir mais e mais. Sacrifica a família, sua própria vida até, chegando a morrer por causa de problemas de saúde que surgem e não são tratados por falta de tempo, devido à sua busca exacerbada pela riqueza. PLANO DOS ANIMAIS: é o estado mental das pessoas nas quais predominam os instintos. É uma Mente Animalesca. Poderíamos enquadrar aqui o Estuprador. PLANO DOS TITÃS: é o estado mental das pessoas agressivas. Estas usam a agressão para satisfazer suas paixões humanas, seu egoísmo latente. Através da força eles sobrepõem-se às demais pessoas. Aqui podemos encaixar os Guerreiros e os Mafiosos. PLANO DOS SERES HUMANOS: é o estado mental no qual vivem as pessoas guiadas pelas (características que sabemos pertencerem ao que normalmente chamamos ser humano): Paixões, Ignorância, Discriminações. Se houver nestas pessoas o encontro com o Tathagata, se elas receberem os Ensinamentos, será o único estado mental no qual os seres terão possibilidades de tornarem-se Budas. Os Seres situados nos estados mentais anteriores, têm capacidade potencial de receber os Ensinamentos mas, se chegarem a recebê-los, é porque já houve uma abertura de mente, uma mudança de estado mental, havendo chegado ao Plano dos seres Humanos. Neste Plano, o Prazer e Ódio podem apresentar-se em idênticas proporções. Os Ensinamentos assimilados (se o forem) poderão então promover a vitória sobre a Ignorância, sobre as Paixões. Mas, estas pessoas serão sempre portadoras daquilo que chamamos defeitos humanos mas também serão as únicas com possibilidades de se tornar Budas. PLANO DOS SERES CELESTIAIS: é o estado mental dos seres mergulhados no gozo dos prazeres. É o estado no qual a pessoa sente-se leve, sem preocupações, sem muitos sofrimentos. Mas este estado de mente não leva o ser a uma consciência de si em relação à vida, não dá motivação para a vida, para a busca das Realidades da Vida. É como se ele vivesse sem mergulhar no “fundo de um poço onde está acomodada a verdade”. Seria o estado mental onde vive-se na Ilusão. Não é portanto o ideal. Como vemos, segundo o Conceito Hinduísta, as pessoas estariam nascendo, vivendo e morrendo, infinitamente, dentro dos Seis Planos de Existência, os quais mais ou menos correspondem às Castas: De acordo com as vidas anteriores, cada pessoa nasceria como escravo, como pária, como Sacerdote-Brâmane, etc. O Buda Sakyamuni nasceu na Casta Real, que estava abaixo da Casta dos Sacerdotes (a mais importante): foi um Príncipe. Segundo o Conceito Budista, este Seis Planos como vimos, podem ser aplicados à vida presente. Imaginemos o nosso cotidiano: há horas em que estamos sofrendo muito (estamos vivendo o plano infernal), há horas em que nos tornamos agressivos (estamos vivendo o plano dos titãs), há horas em que estamos alegres (estamos vivendo o plano dos seres celestiais). E... como vemos transitamos de um plano a outro, NA VIDA PRESENTE E NO DIA-A-DIA. E no Conceito Indiano, transitamos entre os planos entre uma Reencarnação e outra. Para o Budismo, são as Condições Propiciatórias que nos fazem transitar no dia-a-dia, entre os planos. Concluímos assim, que TODOS os seres humanos, ou melhor viventes (porque aqui incluímos além do homem, todos os seres nascidos do útero, do ovo, da UMIDADE e de geração espontânea — ver letra “T” no final do trabalho), mesmo mergulhados nos piores sofrimentos, originados de ações passadas, podem de repente, à partir de determinadas condições propiciatórias (no caso humano o Autoquestionamento e a busca dos Ensinamentos) alcançar a Realização da Terra Pura, (no caso de um vegetal em solo árido, sofrendo, se houver possibilidade de ser posto em solo fértil ele Realizar-se-á plenamente), conforme a Natureza lhes concede as condições propiciatórias. Para o ser humano, o start, é a tentativa de viver mais corretamente, gerada pelo Autoquestionamento, que nos Desperta e impulsiona na busca dos Ensinamentos, e encontro com o Dharma. E, É NESTES ENSINAMENTOS QUE ENCONTRA-SE O MARAVILHOSO PODER SALVADOR DOS BUDAS, (dos Iluminados Mestres), os quais tentam difundi-lo para a Salvação de Todos, começando pelos mais chegados (os que buscam o Caminho).
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