Ohigan
Rito
de Equinócio

Tradicionalmente, os Ritos de Ohigan são celebrados duas vezes por ano, por ocasião da entrada da primavera e do outono, ou seja, nos meses de março e de setembro. Portanto, o
Ohigan corresponde aos Ritos de Equinócio.
Equinócio é uma palavra um pouco difícil, mesmo na língua portuguesa e se refere à época do ano em que o Sol ilumina com a mesma intensidade os dois hemisférios terrestres, o norte e o sul. Ou seja, o Sol, nesta ocasião está posicionado exatamente em alinhamento com a linha imaginária do Equador.
Durante o verão, aqui no Brasil, o Sol está iluminando com maior intensidade o hemisfério sul, provocando o inverno no hemisfério norte. Já no inverno, aqui em nosso país, o sol ilumina o hemisfério norte com maior intensidade, fazendo com que lá seja verão.
É exatamente na época do Equinócio, em que o Sol ilumina com mesma intensidade os dois hemisférios, que nós entramos nas estações mais amenas da primavera e do outono, respectivamente.
No verão o calor é extremo e no inverno, o frio é que se torna quase insuportável, mas na época do Equinócio, temos estações mais amenas e agradáveis.
Desde a Antigüidade, nos tempos do surgimento do Budismo, os discípulos de Buda, que viajavam por toda a Índia pregando o
Dharma (a Doutrina), costumavam se reunir duas vezes por ano, por ocasião do Equinócio, para relembrar os ensinamentos do Buda Gautama, recitando os Sutras (os Textos Sagrados do Budismo) e estudando mais profundamente o seu significado e faziam isso exatamente por ocasião dos Equinócios, por serem épocas de climas mais amenos.
Além de ser uma época apropriada para se reunir em assembléias e retiros, havia uma ênfase, também, num dos ensinamentos mais importantes do Budismo, que é o chamado
"Caminho do Meio”.
O Buda Shakyamuni, fundador do Budismo, sempre enfatizou que sua doutrina poderia ser comparada ao
"Caminho do Meio", pois sempre se afasta dos extremos. Ou seja, trilhar o Caminho da Iluminação é como trilhar um caminho em que se evita os extremos do materialismo, por um lado e o extremo da ascese do fanatismo espiritual, por outro. É a busca de um caminho de harmonia, paz e tranqüilidade.
Em sua própria vida, o Buda demonstrou que já havia trilhado os dois caminhos, pois tendo nascido como príncipe dos Shákyas, viveu até os 29 anos de idade mergulhado no mais absoluto materialismo. Abandonando a vida de conforto do palácio, buscou durante muitos anos a libertação espiritual através de práticas ascéticas extremamente rígidas que o levaram quase à insanidade e à morte. Mas, foi só através de um estilo de vida harmonioso, pacífico e tranqüilo que ele pode realizar a prática que o conduziu à Suprema Iluminação.
Em japonês, a palavra Higan (o "O" que aparece com prefixo é um termo honorífico), também tem o sentido de
"outra margem”, simbolizando que vivemos neste mundo material, impregnado pelos sofrimentos do nascimento e morte, tanto quanto pela ignorância primordial das questões existenciais do ser humano, mas que precisamos atravessar para a outra margem do rio da existência, onde existe o mundo da Iluminação.
Reflexões:
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